Introdução
Esta publicação, patrocinada pelo Sesi, Shell, Itaipu e patrocínio cultural da Syngenta (Lei Rouanet) tem o intuito de levantar a necessidade de legitimarmos Indicadores de Sustentabilidade de Nações (que podemos também chamar de “Indicadores de Riqueza ou de Indicadores de Bem-Estar, de Felicidade...) para que sejamos realmente guiados rumo à sustentabilidade do nosso planeta.
A proposta é que padrões sustentáveis de desenvolvimento, que considerem aspectos ambientais, econômicos, sociais, éticos e culturais, sejam aplicados. Para isso, torna-se necessário definir indicadores que mensurem, monitorem e avaliem esses padrões sustentáveis, para nortear nossos rumos.
De nada adianta o esforço de redes empresariais “socialmente responsáveis”, se somos governados sem indicadores condizentes com essa agenda do movimento de sustentabilidade.
O assunto não é novo, mas não ocupa seu devido lugar, como veremos nas preciosas contribuições individuais de Hazel Henderson, Rosa Alegria e Lala Deheinzelin.
Para orientar os trabalhos desta publicação, nos inspiramos nos textos de Ladislau Dowbor, da PUC, e de Jose Eli da Veiga, da USP. Será, também, na “hipótese do patamar”, do chileno Manfred Max Neef, e na “teoria do decrescimento”, do francês Serge Latouhe, que avançaremos para apreender a dimensão do assunto e pavimentar o trabalho, bem como na leitura da obra Os Novos Indicadores de Riqueza, dos franceses Jean Gadrey e Florence Jany-Catrice, ou Reconsiderar a Riqueza, de Patrick Viveret, entre outros títulos.
Abordaremos os principais Indicadores de Sustentabilidade de Nações em processo de aplicação no exterior (UK, USA, Canadá, Suíça, França, Holanda e Butão) e no Brasil, visando ilustrar a imensa gama de instrumentos que estão disponíveis, servindo, assim de parâmetro para análise do que está acontecendo ao redor do mundo sob o tema sustentabilidade.
São indicadores e índices que levantam o estado da biodiversidade no mundo, as desigualdades e a pobreza, o progresso em direção a sociedades sustentáveis, o progresso real e a qualidade de vida das nações, o uso de recursos naturais por indivíduos, cidades, nações e pela humanidade em geral, a vulnerabilidade do meio ambiente, a eficiência ecológica com a qual o bem-estar humano é obtido em todo o mundo, por nação ou grupo de nações, e índices que classificam os países de acordo com as suas capacidades para proteger o ambiente durante as próximas décadas. Veremos, ainda, índices monetários que visam substituir o PIB como medida de progresso das nações e vão muito além da medida total das atividades econômicas, pois levam em conta o quanto as políticas nacionais realmente resultam em melhor qualidade de vida para todos e também “índices que relacionam o estado da responsabilidade corporativa com a competitividade das nações”.
Em suma, uma nova análise da situação mundial, que mede o desenvolvimento humano e a conservação ambiental, por meio do método de avaliação de riqueza/ bem-estar, em que a ilusão das métricas do PIB e todas as suas limitações atuais não têm mais razão de ser.
Trata-se de um processo contínuo de aprendizado e evolução rumo à sustentabilidade do planeta, que necessita do entendimento e engajamento de todos. Precisamos ter esses dados, calcular os indicadores e cobrar suas aplicações.
A temática já entrou, há tempos, na agenda da ONU – desde 1990, com o cálculo do IDH e a criação da Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CSD) para dar continuidade à Rio 92. A OCDE pretende ir mais longe: quer avaliar a felicidade dos habitantes de um país com o auxilio de indicadores mais elaborados. A ONU vê esse assunto com bons olhos, estudando quais seriam esses novos parâmetros a serem incluídos nos próximos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio – ODM pós-2015.
Veremos, com exemplos concretos de governos, empresas e sociedade civil, que a prática já criou espaço para um avanço dessa agenda, com iniciativas em âmbito:
• internacional, a exemplo do governo francês, que instaurou a Comissão sobre a Medição das Performances Econômicas e Progresso Social (CMPEPS);
• parceria internacional, a exemplo da Fondation France Libertes, com o governo do Acre,
• estadual a exemplo do Orbis no Paraná
• municipal, em cidades, a exemplo dos movimentos Nossa São Paulo, Rio como vamos; no campo/agronegócios, a exemplo de Lucas Legal; na Amazônia, a exemplo de Juruti Sustentável.
Mas como podemos falar em indicadores de riqueza e felicidade de uma nação em um país onde parte de seus habitantes está formalmente excluída da sociedade, sem quaisquer direitos básicos de um cidadão? Veremos qual a resposta do Sesi em relação a questão: “Ação Global”.
Veremos, também, que a demanda já surge por parte de vários setores, no Global Fórum América Latina, por exemplo, realizado em novembro de 2008, em São Paulo.
Convidamos para patrocinar esta publicação organizações que respondam a esta pergunta e já fazem parte dessa frente de trabalho rumo a um mundo mais sustentável.
Por fim, como anexo, a publicação traz uma introdução do universo dos selos ecológicos, prática tão pouco difundida no Brasil.